quarta-feira, 9 de maio de 2018

Música nacional da semana #19


Tem dias que a gente se sente 
Um pouco talvez menos gente 
Um dia daqueles sem graça 
De chuva cair na vidraça 
Um dia qualquer sem pensar 
Sentindo o futuro no ar 
O ar carregado, sutil 
Um dia de maio ou abril 
Sem qualquer amigo do lado 
Sozinho em silêncio calado 
Com uma pergunta na alma 
Por que nesta tarde tão calma? 
O tempo parece parado? 


Está em qualquer profecia 
Dos sábios que viram o futuro 
Dos loucos que escrevem no muro 
Das teias, do sonho remoto 
Estouro, explosão, maremoto 
A chama da guerra acesa 
A fome sentada na mesa 
O copo com álcool no bar 
O anjo surgindo no mar 
Os selos de fogo, o eclipse 
Os símbolos do Apocalipse 
Os séculos de Nostradamus 
A fuga geral dos ciganos 
Está em qualquer profecia 
Que o mundo se acaba um dia 


Um gosto azedo na boca 
A moça que sonha, a louca 
O homem que quer mas esquece 
O mundo do dá ou do desce 
Está em qualquer profecia 
Que o mundo se acaba um dia 


Sem fogo, sem sangue, sem ais 
O mundo dos nossos ancestrais 
Acaba sem guerra, os mortais 
Sem glórias de mártir ferido 
Sem o estrondo mas com gemido 
Está em qualquer profecia 
Que o mundo se acaba um dia 
Um dia 

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